Durante o Império Novo (c. de 1550 a 1070 a.C.) a maior parte das fórmulas dos textos dos sarcófagos, acrescidas de diversas estrofes novas, passaram a ser escritas em rolos de papiro, os quais eram colocados nos ataúdes ou em algum local da câmara sepulcral, geralmente em um nicho cavado com essa finalidade. Quando postos no sarcófago costumavam ser encaixados entre as pernas dos corpos, logo acima dos tornozelos ou perto da parte superior das coxas, antes de serem passadas as bandagens. Tais textos, que formam um conjunto com cerca de 200 estrofes referentes ao mundo do além-túmulo, ilustrados com desenhos para ajudar o defunto na sua viagem para a eternidade, foram intitulados pelos modernos arqueólogos de Livro dos Mortos. Entretanto, conforme explica o especialista em história antiga, A. Abu Bakr, esse título é até certo ponto enganoso: na verdade, nunca existiu um "livro" desse gênero; a escolha das estrofes escritas em cada papiro variava segundo o tamanho do rolo, a preferência do adquirente e a opinião do sacerdote-escriba que as transcrevia. Um "Livro dos Mortos" médio continha entre 40 e 50 estrofes.

Para os egípcios esse conjunto de textos era considerado como obra do deus Thoth. As fórmulas contidas nesses escritos podiam garantir ao morto uma viagem tranquila para o paraíso e, como estavam grafadas sobre um material de baixo custo, permitiam que qualquer pessoa tivesse acesso a uma terra bem-aventurada, o que antes só estava ao alcance do rei e da nobreza. Em verdade, essa compilação de textos era intitulada pelos egípcios de Capítulos do Sair à Luz ou Fórmulas para Voltar à Luz (Reu nu pert em hru), o que por si só já indica o espírito que presidia a reunião dos escritos, ainda que desordenados. Era objetivo desse compêndio, nos ensina o historiador Maurice Crouzet, fornecer ao defunto todas as indicações necessárias para triunfar das inúmeras armadilhas materiais ou espirituais que o esperavam na rota do "ocidente".
As cenas do julgamento do falecido fazem parte daquela rota e, portanto, de tais papiros. A decisão era tomada no Saguão das Duas Verdades, um grande salão no qual ficava uma grande balança destinada a pesar o coração do morto. A solenidade é assim resumida pelo egiptólogo Kurt Lange: Osíris, senhor da eternidade, está sentado como um rei no seu trono. Tem em suas mãos o cetro e o leque. Por trás dele, mantêm-se habitualmente suas irmãs Ísis e Néftis. Na outra extremidade, vê-se a deusa da justiça, Maat, introduzir o morto ou a morta. No meio do quadro está desenhada a grande balança em que o peso do coração é comparado ao duma pluma de avestruz, símbolo da verdade. A pesagem é confiada a Hórus e ao guardião das múmias, de cabeça de chacal, Anúbis. O deusThoth, de cabeça de íbis, senhor da sabedoria e da escrita, anota o resultado da pesagem sobre um papiro, por meio de um cálamo. Quarenta e dois juízes — correspondendo quarenta e duas províncias do Egito — assistem à operação. Diante desse tribunal é que o candidato à eternidade deve fazer as declarações nas quais afirma nunca se ter tornado culpado de certo número de faltas para com seus semelhantes, para com os deuses, para com sua própria pessoa e o bem alheio. Se a sentença dos juízes fosse favorável ao morto, Hórus tomava-o pela mão e o conduzia ao trono de Osíris, que lhe indicava seu lugar no reino do além. Essa é a cena que vemos na ilustração do alto da página. Ela pertence ao Livro dos Mortos de Hunefer, obra originária de Tebas e datada da XIX dinastia (c. 1307 a 1196 a.C.). Caso contrário, o morto estaria cheio de pecados e, então, seria comido por um terrível monstro, Ammut, o devorador dos mortos, que vemos na ilustração acima ao lado de Anúbis.



A idéia central do Livro dos Mortos é o respeito à verdade e à justiça, mostrando o elevado ideal da sociedade egípcia. Era crença geral que diante de Osíris de nada valeriam as riquezas, nem a posição social do falecido, mas que apenas seus atos seriam levados em conta. Foi justamente no Egito que esse enfoque de que a sorte dos mortos dependia do valor de sua conduta moral enquanto vivo ocorreu pela primeira vez na história da humanidade. Mil anos mais tarde, — diz Kurt Lange — essa idéia altamente moral não se espalhara ainda por nenhum dos povos civilizados que conhecemos. Em Babilônia, como entre os hebreus, os bons e os maus eram vítimas no além, e sem discernimento, das mesmas vicissitudes.

Não resta dúvida de que o julgamento de seus atos após a morte devia preocupar, e muito, a maioria dos egípcios, religiosos que eram. Mas — pondera Crouzet — a provação era de tal espécie, que podia ser sobrepujada por uma memória eficaz, ajudada pelo papiro colocado junto ao cadáver, que possibilitaria ao defunto enunciar certas sentenças soberanas. Como afastar a palavra "magia", e negar que o emprego destas fórmulas era considerado suficiente para apagar os erros da vida terrena? É claro que o crente era convidado a não cometê-los: seria a melhor maneira de garantir a sua salvação futura. Mas nenhuma reserva, em parte alguma, limitava a eficácia das receitas de que tratava de munir-se, desde que fosse obstinado, embora culpado.
É preciso que se diga que embora o Livro dos Mortos tenha aparecido grafado em papiros apenas a partir do Império Novo, sua origem é muito mais antiga, anterior até mesmo ao período dinástico. Inicialmente, contando apenas com poucas estrofes relativamente simples, adequadas aos costumes de uma época remota, seu conteúdo era transmitido de forma oral. Com o aumento da quantidade e da complexidade dos textos, os sacerdotes se viram obrigados a escrevê-los antes que se perdessem da memória dos fiéis. Num processo de cópias sucessivas foram introduzidas variações e enganos, tanto por equívoco na leitura dos caracteres quanto por desleixo, cansaço do copista e acréscimos feitos pelo próprio escriba interessado em impor sua opinião. A cópia mais antiga encontrada foi escrita para Nu, filho do intendente da casa do intendente do selo, Amen-hetep, e da dona de casa, Senseneb. Esse valioso documento, avaliam os arqueólogos, não pode ser posterior ao início da XVIII dinastia (c. de 1550 a.C.). Ele faz referência a datas dos textos que transcreve e uma delas se refere aos idos de um dos faraós da I dinastia (c. de 2920 a 2770 a.C.).

Foi nos sepulcros de Tebas que os pesquisadores encontraram a maior parte das cópias do Livro dos Mortos. Em tais papiros os comprimentos variam entre 4,57 e 27,43 metros e a largura entre 30,48 e 45,72 centímetros. No início do Império Novo os textos são sempre escritos com tinta preta e os hieróglifos dispostos em colunas verticais, separadas entre si por linhas pretas. Títulos, palavras iniciais dos capítulos, rubricas e chamadas são grafadas com tinta vermelha. Os escribas também enfeitavam os papiros com vinhetas de traços pretos, às vezes copiadas de ataúdes e documentos de dinastias bem anteriores como a XI (c. de 2134 a 1991 a.C), por exemplo. A partir da XIX dinastia (c. de 1307 a 1196 a.C.) as vinhetas passaram a ser pintadas com cores muito brilhantes e cresceram de importância, ao passo que o texto passou a ocupar uma posição secundária. Um dos mais belos papiros ilustrados que existem é o assim chamado Papiro de Ani, cujas vinhetas representam cenas mitológicas, nomes de deuses e cenas do julgamento dos mortos.


No decorrer da XXI e da XXII dinastias (c. de 1070 a 712 a.C.) houve deterioração do trabalho de escribas e desenhistas e a qualidade do mesmo diminuiu sensivelmente, além de ter havido alterações no conteúdo dos textos. Outros temas não relacionados com o mundo dos mortos, como a criação do mundo, por exemplo, foram incluídos nos papiros dessa época. Às vezes o texto nada tem a ver com a vinheta que o acompanha. Nesse período também se estabeleceu o costume de encher com os papiros figuras ocas de madeira do deus Osíris, as quais eram colocadas nos túmulos. Quando os papiros diminuíram de tamanho, passaram a ser armazenados em cavidades menores nas bases de tais figuras. Do final da XXII dinastia em diante, até o início da XXVI dinastia (664 a.C.) ocorreu um período de desordem e tumulto. Os sacerdotes perderam gradualmente o seu poder religoso e temporal e a crise provocou redução das despesas com cerimônias funerárias, tendo caído em desuso o costume de se fazer cópias do Livro dos Mortos.

Quando os faraós da XXVI dinastia assumiram o poder houve uma renovação dos antigos costumes mortuários, templos foram restaurados e textos antigos esquecidos foram relembrados e novamente copiados. No que se refere ao Livro dos Mortos tais cópias passaram a ser feitas de forma sistemática. Os capítulos passaram a ter uma ordem fixa, mantidos na mesma ordem relativa nos diversos papiros, ainda que alguns contivessem mais texto do que os outros, e quatro capítulos novos foram acrescentados, refletindo as novas idéias religiosas da época. Esses escritos continuaram a ser usados durante o período ptolomaico (304 a 30 a.C.). Nessa época, porém, só eram grafados os textos que se acreditava absolutamente necessários à salvação do morto. Textos que refletiam uma mitologia há muito esquecida eram ignorados.


Um triste livro criado para semear a dor, bem... na minha opinião este livro foi a causa para milhões de vidas perdidas até hoje, onde será que o preconceito irá parar?

NÃO ESTOU FAZENDO APOLOGIA AO LIVRO NEM RECOMENDO, MEU TRABALHO AQUI É APENAS DE INFORMAR, MAIS MOSTRO MEU TOTAL REPUDIO POR ESTE LIVRO.

No Brasil são inúmeras as publicações dos Protocolos dos Sábios de Sião. A tradução que deu origem a todas elas é a da edição comentada do historiador laureado e membro e presidente da Academia Brasileira de Letras Gustavo Dodt Barroso (1888-1959). Entre outras coisas foi um dos ideólogos do Integralismo, que tenta se mostrar "não anti-semita", mas enxergando o mundo pelas letras de Gustavo Barroso em livros como: Brasil - Colônia de banqueiros (1934); História secreta do Brasil, 3 vols. (1936, 1937 e 1938) e Os protocolos dos sábios de Sião (1936). Nos últimos 25 anos, tais livros tem sido publicados pela Editora Revisão de Siegfried Elwanger "Castan" e podem ser encontrados para venda na Internet e em diversas livrarias e feiras de livros. Algumas outras editoras publicaram os Protocolos, inclusive com propagandas de venda (acima) como em 2000 no Rio de Janeiro.

Pela lei brasileira, os Protocolos não são proibidos, pois não fazem apologia ao nazismo, tendo sido escritos quase 30 anos antes do surgimento da ideologia nazista. Os Protocolos formam a base do conceito de Hitler para a perseguição dos judeus como você verá mais abaixo, mas em momento algum falam contra os judeus. A edição comentada por Gustavo Barroso é legal. As diversas edições sem os dados do editor e gráfica ou autor, são ilegais em em relação a "Lei de Imprensa" brasileira. Os Protocolos são indicados como leitura obrigatória em sites de grupos separatistas, nazistas, nacionalistas, do Poder Branco, KKK e até mesmo do MV - Movimento Pela Valorização da Língua Portuguesa.

Protocolos dos Sábios do Sião - 1897

O livro apócrifo, Protocolos dos Sábios do Sião é uma fraude feita na Rússia pela Okhrana (polícia secreta do Czar Nicolau II), que culpa os judeus pelos males do país. Foi publicado privadamente em 1897 e tornado público em 1905, por Serguei Nilus em seu livro "Velikoe v Malom" (Os Grandes e Os Pequenos). É copiado de uma novela do século XIX (Biarritz, 1868) e afirma que uma cabala secreta judaica conspira para conquistar o mundo.

A base da história foi criada por um novelista alemão anti-semita chamado Hermann Goedsche que usou o pseudônimo de Sir John Retcliffe. Goedsche roubou a idéia de um outro escritor, Maurice Joly, cujos "Diálogos no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu" (1864) envolviam uma conspiração dos Infernos contra Napoleão III. A contribuição original de Goedsche consistiu na introdução dos judeus como os conspiradores para a conquista do mundo.

O Império Russo usou partes da tradução Russa da novela de Goedsche, publicando-as separadamente como os Protocolos, e afirmando serem atas autênticas de reuniões secretas de Judeus.

O seu propósito era político: reforçar a posição do Czar Nicolau II apresentando os seus oponentes, como aliados de uma gigantesca conspiração para a conquista do mundo. O Czar já via no Manifesto Comunista de Marx e Engels, de 1848, uma ameaça. Como Marx era judeu de nascimento, apesar de não seguir a religião e pregar por um regime político onde a religião seria banida, a "ameaça judaica poderia ser fundamentada"

Os Protocolos são uma fraude de uma ficção plagiada.Os Protocolos foram denunciados como fraude em 1921 por Philip Grave, um correspondente do London Times; por Herman Bernstein em "The Truth About The Protocols of Zion: A Complete Exposure" (Ktav Publishing House, New York, 1971); e Lucien Wolf em "The Jewish Bogey and the Forged Protocols of the Learned Elders of Zion" (London: Press Committee of the Jewish Board of Deputies, 1920).

Os Protocolos foram publicados nos EUA num jornal de Michigan cujo proprietário era Henry Ford (o criador dos carros Ford), ele mesmo, autor de um livro tremendamente anti-semita chamado de O Judeu Internacional. Mesmo após a sua denúncia como fraude, o jornal continuou a citar o documento. Adolf Hitler e seu Ministério da Propaganda, usaram os Protocolos para justificar a necessidade do extermínio de judeus desde mais de 10 anos antes da Segunda Guerra Mundial.

Segundo a retórica nazista, a conquista do mundo pelos Judeus, descoberta pelos russos em 1897, estava obviamente sendo levada a cabo 33 anos depois.

Os Protocolos continuam a enganar pessoas e ainda são citados por indivíduos e grupos racistas, supremacistas brancos, nazistas e neo-nazistas como a causa dos males dos povos, quer estejam sob governos democráticos, ditatoriais, de esquerda, de direita, teocráticos ou qualquer outro regime.

Os Protocolos estão publicados em várias línguas, inclusive português, espanhol, inglês, russo, outras línguas da Europa Oriental, árabe e línguas asiáticas etc. Enquanto Hitler os usou para "provar" que os judeus eram culpados pela Revolução Comunista na Rússia em 1917, os neo-nazis russos e nacionalistas-comunistas russos os usam, hoje, para provar que os judeus são os responsáveis pela queda do Comunismo e pela democratização do país.

O texto falso, a fraude feita por um governo imperial decadente e cruel com seu próprio povo, é tão convincente que 104 anos depois ainda é apresentado como uma das maiores revelações que todo bom racista deve conhecer.

OS PROTOCOLOS INFLUENCIARAM ADOLF HITLER?


Como quase ninguém leu o Mein Kampf, escrito por Hitler, e fica discutindo se ele é ou não racista, se ele mostra ou não as intenções do ditador em relação aos judeus, dê uma olhada no texto abaixo.

Aus Mein Kampf: Die Protokolle der Weisen von Zion Aus 11. Kapitel: Volk und Rasse -- Erster Band: Eine Abrechnung

The Protocol Plot. Printed by Aryan Bookstore, Los Angeles, California, ca. 1934.

. . . Wie sehr das ganze Dasein dieses Volkes auf einer fortlaufenden Lüge beruht, wird in unvergleichlicher Art in den von den Juden so unendlich gehaßten Protokollen der Weisen von Zion gezeigt. Sie sollen auf einer Fälschung beruhen stöhnt immer wieder die Frankfurter Zeitung in die Welt hinaus: der best Beweis dafür, daß sie echt sind. Was viele Juden unbewußt tun mögen, ist hier bewußt klargelegt. Darauf aber kommt es an. Es ist ganz gleich, aus wessen Judenkopf diese Enthüllungen stammen, maßgebend aber ist, daß sie mit geradezu grauenerregender Sicherheit das Wesen und die Tätigkeit des Judenvolkes aufdecken und in ihnen inneren Zusammenhägen sowie dan letzten Schlußzielen darlegen. Die beste Kritik an ihnen jedoch bildet die Wirklichkeit. Wer die geschichtliche Entwicklung der letzten hundert Jahre von den Gesichtspunkten dieses Buches aus überprüft, dem wird auch das Geschrei der jüdischen Presse sofort verständlich werden. Denn wenn dieses Buch erst einmal Gemeingut eines Volkes geworden sein wird, darf die jüdische Gefahr auch schon als gebrochen gelten (337).
Ele foi publicado pela mais que insuspeita Aryan Bookstore de Los Angeles, Califórnia, em 1934 fazendo parte dos comentário em sua edição do "Complo dos Protocolos". Lembre-se que nos anos 1930 houve um surgimento do movimento nazista, também nos Estados Unidos e este material é de sua propaganda oficial, cuja tradução é:

Do Mein Kampf, capítulo XI, Nação e Raça

... até que ponto toda a existência desse povo é baseada em um mentira continuada incomparavelmente exposta nos Protocolos dos Sábios de Sião, tão infinitamente odiado pelos judeus. Eles são baseados num documento forjado, como clama o jornal Frankfurter Zeitung toda a semana: é a melhor prova de que eles são autênticos. O que muitos judeus fazem inconscientemente, aqui é exposto de forma consciente. E é isso o que importa. É completamente indiferente de qual cérebro judeu essa revelação se originou; o importante é que com uma certeza positiva e terrível eles revelam a natureza do povo judeu e expõe seus contextos internos bem como seus objetivos finais. Todavia a melhor crítica aplicada a eles é a realidade. Qualquer um que examine o desenvolvimento histórico dos últimos 100 anos, do ponto de vista deste livro, vai entender de uma vez os gritos da imprensa judaica. Agora que este livro se tornou uma propriedade do povo a ameaça judaica é considerada como interrompida (pgs 307-308)

OS PROTOCOLOS: LER OU NÃO LER?

É um tabu e uma tolice que a comunidade judaica não leia os Protocolos. Esse livro deveria ser de leitura obrigatória nas escolas, discutido dentro de seu contexto histórico e político para que cada judeu entendesse porque os anti-semitas empregam este livro por mais de 110 anos. Ninguém consegue se esconder das palavras negando sua existência. Apenas com o conhecimento é que se pode combater este tipo de ataque racista.

Já foi o tempo em que se podia alimentar qualquer esperança em relação a uma certa contenção da propagação do texto dos Protocolos. Não adiantam leis enquanto a Internet permanece desregulamentada. Não adianta apreender livros enquanto seu conteúdo, em quase todas as línguas é disponível gratuitamente. Em uns 20 segundos de pesquisa se encontra a versão na língua desejada. Aproveite os links abaixo e leia os Protocolos dos Sábios de Sião! Entenda sua retórica. Perceba por que ele fascina os racistas. Entenda por que é preciso se defender deste texto.

No dia do fechamento desta matéria havia cerca de 15.000 ocorrências sobre os Protocolos em inglês e 460 em português.
Entre elas, podemos destacar as seguintes:

ps: alguns fora do ar definitivamente.

Rede Direitos Humanos e Cultura - aproveite e dê uma olhada nos posters oficias palestinos e pode até baixar o Hino da Intifada...

Entre os sites com material em inglês sobre a história dos Protocolos e as provas documento ser forjado, você pode dar uma olhada em:


Martin Luther ou Martinho Lutero

"os Judeus e Suas Mentiras". Martin Luther é o pai os Luteranos. Durantea primeira parte de seu ministério, 1513-1523, Luther condenou a perseguição do judeus recomendou uma política mais tolerante em relação a eles.

Em 1523 ele escreveu "Que Cristo Nasceu Como Um Judeu" no qual ele discute que os judeus, que eram da mesma linahgem do fundador do cristianismo estavam certos em recusar a aceitar o "paganismo papal" apresentado a eles pelo cristianismo. Ele acrescentou: Se eu tivesse sido judeu e tivesse visto estas tolices ensinadas pela fé cristã, eu preferiria virar um porco que um cristão".

Todavia, quando os judeus não aceitaram a sua versão do cristianismo e não se converteram, Luther se tornou incrivelmente hostil aos judeus. Em torno de 1530, ems eus escritos, ele se refere a "judeus de pecoço duro, coração de ferro e teimosos como o Diabo".

Então, em 1542 ele escreveu "Sobre Os Judeus e Suas Mentiras" e em 1543, "Em Nome de Hamephoras". Estes dois panfletos continham algumas das mais horrendas e vís palavras escritas contra os judeus.

500 anos depois, Hitler encontrou muitas de suas idéias e justificativas para o tratamento dos judeus e para o advento do Holocausto nestes escritos. A igreja luterana é alemã e Martin Luther era alemão. Será que você precisa pensar duas vezes ao se lembrar de Martin Luther King - Martinho Lutero o Rei?

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Magorinai


Por muitos anos vários “Terceiros Testamentos” vieram a tona, há rumores de que durante a queima da biblioteca de Alexandria o original deste livro foi totalmente perdida, porem com o passar dos anos falsários tentaram empurrar livros com esse título pela garganta abaixo dos maiores fieis fervorosos, porem com a seita dos Mormons fundamentada surgiu “O Terceiro Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo” mais que logo foi repudiado por muitos pois trata-se de um livro de complementação da simbologia mórmon.

Após muitas pesquisas vejo um livro contemporâneo mais com fundamentos fixos o suficiente para que eu possa dizer que seria a continuação adequada da bíblia, pois sempre acreditei que este livro está sendo eternamente escrito independente de sexo, cor, clero e raça.

Sobre Martinus

Martinus Thomsen nasceu em 11 de agosto de 1890 na cidade pequena do mercado de Sindal em Jutlândia do Norte. De acordo com a opinião religiosa da época, ele foi o que foi chamado um filho ilegítimo, que era como as crianças nascidas fora do casamento foram descritas naquele momento. A respeito de sua infância e educação, Martinus relata que ele não consegue lembrar de um único dia em sua vida em que ele não orar a Deus. Quando ele estava em dúvida sobre a coisa certa a fazer em uma situação particular, ele sempre perguntava: "O que Cristo tem feito nesta situação?" E imediatamente ele saberia o que era a coisa certa a fazer. Assim, desde a mais tenra idade, a personalidade Martinus "trazia o selo de uma natureza profundamente religiosa. Suas idéias religiosas foram, no entanto, nem sempre em fase com as interpretações predominantes.
Durante as aulas de sua confirmação o clérigo lhe disse que Deus tinha colocado uma maldição sobre filhos ilegítimos. Martinus, no entanto, não podia acreditar que Deus estava zangado com ele. nascidos fora do casamento, seu tio materno e sua esposa cuidou dele. Eles estavam amando as pessoas que em sua velhice cuidou bem dele depois de já ter levantado um número de filhos. Eles eram pessoas pobres e sem instrução, mas quente. Martinus própria mãe morreu em 1901 quando ele tinha 11 anos. Em seguida, citou ainda manuscritos inéditos, Martinus conta a história de sua infância e crescente-up até à sua experiência do Nascimento Grande. "Eu não recebi nenhuma ensino superior, não detêm as qualificações científicas ou doutorados e não têm nenhum conhecimento dos grandes filósofos e escritores sobre a religião. Quando criança eu ganhei a minha educação em uma escola da vila simples com apenas duas classes e um professor. No Verão fomos para a escola para seis horas por semana e no inverno um pouco mais. Além de leitura, escrita e aritmética meus estudos consistiam apenas da história bíblica, alguns salmos, um pouco de história e geografia dinamarquesa. Isso era tudo. Porque eu gostava de história bíblica tanto que eu estava muito feliz de ir à escola. Meu maior desejo era estudar e se tornar um professor de mim mesmo, mas não era vontade de Deus que eu deveria me tornar um professor da escola. Meus pais adotivos tinham apenas as necessidades básicas de vida e foram completamente incapaz de me apoiar economicamente através da educação adicional. A partir da idade de quatorze anos até que eu tinha trinta anos minha existência física procedeu da mesma maneira como a de milhares e milhares de outros jovens que estavam sem meios e que não tinham educação ou comércio. Eu estava, por sua vez um vaqueiro, leiteiro, vigia noturno e trabalhador de escritório. Durante meu ano trigésimo primeiro eu experimentei um processo espiritual ou cósmica que me levou a uma missão cósmica. Uma noite, em março de 1921, eu estava sentado na escuridão total no meu quarto em Norrebros Runddel em Copenhague focando minha atenção em Deus. Foi enquanto eu estava concentrado em Deus e na escuridão total, que eu experimentei, em uma vigília, dia-consciente, visão cósmica, meu chamado divino, inimaginável para mim naquela época, que era explicar de forma intuitiva e se manifestar como ciência cósmica "quantidade grande" de que Jesus poderia ter dito a seus discípulos, mas que nem eles nem as autoridades públicas da época eram evoluídos o suficiente para ser capaz de entender.

No que se segue vou mostrar como ela pode acontecer que um homem nascido e criado em uma comunidade agrícola não-intelectual, sem estudos, exames de investigação, ou orientação espiritual foi subitamente capaz de criar uma ciência cósmica, a quintessência do que é o mundo eterno imagem que tem como alicerce o amor universal, a imortalidade dos seres vivos e ao fato de que eles são donos do seu próprio destino. A visão de Cristo que vivi não foi um sonho ou uma alucinação, mas uma, absolutamente desperto, dia-consciente experiência cósmica que continha um anúncio claro de uma missão que eu tinha que realizar. É verdade que eu não estava imediatamente disponível para entender como eu teria poder suficiente para lidar com uma tarefa espiritual ou cósmica de importância elevada e sagrada tal. Mas essa capacidade inadequada espiritual para entender não duraria muito tempo. Já na manhã seguinte eu sabia que tinha para meditar novamente. Depois que eu tinha sentado na minha cadeira de vime, que agora parecia-me ser acusado de alguma forma de força espiritual potência ativa, eu amarrei um lenço meus olhos e, portanto, encontrava-me na escuridão profunda, mas em um completamente acordado, o dia-consciente Estado. Todos de uma vez era como se eu estivesse olhando para um céu semi-escura sobre a qual uma nuvem escura estava passando o que fez o céu fique mais claro. Esta nuvem passou sobre o céu várias vezes e cada vez que o céu tornou-se ainda mais luminosa, até que foi um oceano deslumbrante da mais pura luz dourada que ofuscou todas as outras existentes luz. Ele tomou a forma de milhares de vibração dourados tópicos verticais que totalmente preenchido o espaço. Eu encontrei-me sozinho no meio deste campo divino de vida leve, mas sem me aparecer em qualquer forma visível a todos. Eu tinha nenhum organismo, assim como todas as coisas criadas em torno de mim, o meu quarto, meus móveis, de fato, o mundo material tinha desaparecido completamente ou estava fora do alcance dos meus sentidos. A luz ofuscante de ouro com a sua vibração dourados fios de ouro tinham absorvido em si mesmo tudo o que era de outra maneira acessível aos sentidos ou a experiência de vida, mas ainda através desta luz forte de ouro que eu poderia experimentar dia-consciente que eu tinha uma existência que vivem fora o mundo dos fenômenos físicos, tudo fora que de outra forma aparece como fenômeno criado. Eu estava fora do tempo e do espaço. Eu estava em um com o infinito ea eternidade. Eu estava no meu elemento de eu eterno, o imortal I que juntamente com o eu de todos os seres vivos existente é uno com o que eu ou origem eterna do universo. Aqui eu estava de acordo com o eterno, todo-poderoso, Deus onisciente e todo-amoroso, que em todos os momentos e por todas as civilizações do mundo, as religiões do mundo, raças e nacionalidades tem sido consciente e inconscientemente procurou e adoraram.

Felizmente há muito material sobre o assunto na net, infelizmente todo ele tem severas leis de direitos autorais o que torna difícil todas as pessoas terem acesso a esses livros, mesmo sendo um livro bem elaborado, certas passagens ainda deixam lacunas e dúvidas sobre o tema, mais isso vai de acordo com a leitura de cada um, estou disponibilizando um dos livros criados em PDF aqui.

Boa Leitura!

Magorinai



Feitiço do Livro ABBRAE OCCULTVM - Século XVI.


A Divina Comédia talvez seja para mim o mais fascinante e mágico dos livros fictícios existente cada uma das suas mais de 600 páginas é repleta de mistérios, magia e um mundo sobrenatural que só existiu na mente de Dante Alighieri mais que acabou ganhando vida por seus seguidores. Assim como H.P. Lovecraft e Júlio Verne, Dante se tornou quase como um profeta a retratar com detalhes imensuráveis a trajetória de um homem que vai buscar a alma de sua amada das profundezas do inferno, esse livro acabou se tornando uma bíblia descritiva da morada dos demônios e os castigos de acordo com o que cada simples pessoa é capaz de fazer.

Estarei disponibilizando o livro gratuito aqui.

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A Divina Comédia, de Dante Alighieri
Análise da obra

A Comédia, poema épico e obra-prima de Dante Alighieri, foi escrita provavelmente entre 1307 e 1321. O poema passou a ser conhecido como Divina Comédia apenas em sua primeira edição impressa, em 1555.

A obra-prima de Dante Alighieri e da literatura italiana, A Divina Comédia, não pode ser considerada uma epopéia, pois não é a história ficcional de um herói que, pela suas façanhas, fundou ou glorificou uma nacionalidade. A Divina Comédia não trata nem das origens nem da exaltação do povo italiano. Esta obra é classificada como um poema didático-alegórico: didático porque tem uma finalidade educativa, e alegórica porque os ensinamentos são ministrados por uma série de símbolos, ou seja, signos materiais que tem significação espiritual. A grandeza do poeta italiano reside em ter conseguido elevar à categoria da universalidade os problemas seus e de sua terra natal, através da força transformadora da arte. O parentesco de A divina comédia com a poesia épica greco-romana é evidente. O próprio autor de Eneida, Virgilio, é escolhido como mestre e guia espiritual do poeta, sendo um dos três personagens principais do poema.

A obra se constitui num compêndio onde todo o conhecimento do mundo clássico é transubstanciado pela cosmovisão de um homem da Idade Média.

A Divina Comédia permite ter uma certa compreensão do homem medieval, não só pelas informações históricas que nos propicia, mas principalmente porque espelha, sob muitos aspectos a cosmovisão tomista e victorina típica do medieval.

Nesta obra se condensam e revivem em forma de arte dez séculos de concepção filosófica e religiosa, de instituições políticas e sociais, de cânones estéticos e morais. A motivação que determinou a transformação da enorme bagagem cultural de Dante em arte foi a realidade histórica e social. A Divina Comédia é a história de um homem – Dante Alighieri – que viveu seus últimos vinte anos de vida no exílio, peregrinando de uma cidade para outra, vivendo quase de esmolas, vítima de ódios políticos. É a história de um povo – o povo italiano do fim da Idade Média – dividido em várias cidades – estados em contínuas lutas pela sobrevivência política, cada qual recorrendo à ajuda estrangeira ou ao poder papal. A Divina Comédia é também a história da humanidade toda, pois o seu protagonista assume o papel simbólico de cidadão do mundo, que sofre e luta para alcançar os ideais cívicos de união, justiça e amor nesta terra e a fé num mundo melhor no além.

A obra apresenta, em versos, em muitos pontos, o pensamento da Suma Teológica de São Tomás. Dá a argumentação tirada do tomismo. Isto sem esquecer que Dante coloca no céu o grande inimigo de São Tomás, Siger de Brabante, tanto quanto o milenarista Joaquim de Fiore, que ele apresenta como di spirito profético dotatto. O que é um absurdo próprio dos beguinos.

Mais claramente, Dante utiliza na Divina Comédia a visão da felicidade humana, de Hugo de São Victor, fundamentada na luz e na doçura - lumen et dulcedo - isto é, na posse da verdade (lumen) e na posse do bem material (dulcedo).

Existem elementos pagãos na Divina Comédia, e se explicam pelo fato de que Dante não era plenamente católico. Ele fazia parte de uma sociedade secreta - Os Fiéis de Amor - cuja doutrina era gibelina. Como todos os Gibelinos, ele colocava o Império acima da Igreja. O Imperador acima do Papa. Daí o ódio de Dante ao Papado e à Igreja rica, à loba, carregando em sua magreza toda a fome de riqueza.

E não se deve esquecer que os Gibelinos eram, muitas vezes, cátaros. Veja, por exemplo, que Dante coloca, no inferno, Farinata degli Uberti como epicurista, quando, de fato, ele foi cátaro, e excomungado como cátaro.

No Inferno de Dante, misteriosamente, jamais aparece o termo "cátaro". Entretanto, essa era a grande heresia que dominava o tempo em que ele viveu. Até mesmo a colocação dos hereges - e para Dante hereges eram apenas os materialistas epicuristas - é estranha, pois eles não estão colocados entre os fraudulentos, os enganadores que pecaram com o intelecto.

Também é notável como Dante exalta certos poetas conhecidos, hoje, como cátaros, como por exemplo, Arnauld Daniel, mestre do "trobar clus" (poesia em código), Sordello, Casella a quem ele faz cantar o poema praticamente esotérico Ämor che nella mente mi raggiona, de autoria do próprio Dante.

A Divina Comédia caracteriza-se por um fortíssimo sentido moralizante, pela reafirmação dos princípios cristãos e pelo desejo de renovação espiritual. Sua força narrativa reside na firmeza de caráter de Dante, enquanto personagem, ao lidar com algumas das questões mais fundamentais da condição humana. Mesmo diante dos maiores desafios, o poeta segue com convicção sua crença na existência da vida eterna e naquela que seria a finalidade de nossa existência: a busca da união com Deus, por meio da purificação.

No entanto, uma ambigüidade que marca toda a obra pode ser encontrada nas fontes de inspiração para o enredo: do VI canto do clássico Eneida, de autoria do poeta romano Virgílio, surge a temática de uma viagem ao pós-vida. Da Bíblia, Dante extrai os dogmas católicos, tão presentes na obra. Da fusão de ambos os textos, cria-se, então, uma síntese da mentalidade medieval - calcada na religiosidade -, ao mesmo tempo em que se vislumbra um anúncio da racionalidade, da valorização do ser humano e do retorno aos modelos greco-romanos, características essenciais do Renascimento.

Tal conciliação entre fé e razão projeta-se fortemente sobre A Divina Comédia, à semelhança do que ocorre na suma filosófica de São Tomas de Aquino, contemporâneo de Dante. A visão de universo apresentada na obra, por sua vez, é emprestada de Aristóteles, outro grande nome da Antigüidade Clássica a influenciar o poeta.

Também destaca-se no texto a dualidade entre aceitação e crítica à Igreja. Dante exalta e justifica as crenças do Catolicismo, defendendo, inclusive, a origem divina do poder papal. No entanto, não hesita em condenar diversos papas ao plano do Inferno, por considerá-los corruptores da fé cristã. O aparente conflito apenas reforça o sentido moralizante do livro, ao enfatizar a necessidade de uma rígida conduta ética.

Estrutura

A obra é estruturada em 100 cantos, totalizando 14.233 versos. Cada parte (Céu, Purgatório e Inferno) apresenta 33 cantos. O Inferno conta, ainda, com um canto introdutório, formando o número 100, múltiplo de 10, símbolo da perfeição (100 = a perfeição do perfeito).

Cada canto é composto de 130 a 140 versos em terça rima (versos divididos em grupos de três).

Na harmonia com os números 3, 7, 10 e seus múltiplos, aparecem os indícios do forte simbolismo da cultura medieval ou da devoção do autor à Santíssima Trindade. Essa harmonia determina a métrica adotada, com versos hendecassílabos (11 sílabas) e rimas no esquema ABA BCB, CDC... VZV (o verso central rima com os 1° e 3º do grupo seguinte). Tal estrutura deu origem ao chamado "terceto dantesco", assim denominado por ter sido Dante o primeiro a empregá-la.

São muito discutidas as datas da composição do poema: muito provavelmente, Dante começou-o por volta de 1307, para depois nele trabalhar durante toda a sua vida.

O poema, no seu conjunto, é a história da conversão do pecador a Deus. O poeta tencionava fazer da Divina Comédia principalmente sua obra de doutrina e de edificação, uma "Suma" que compreendesse o saber do seu tempo, da ciência à filosofia e à teologia. Por isso o poema é repleto de significados alegóricos e ainda morais. Assim, por exemplo, Virgílio, que cantou os ideais de paz e justiça do Império Romano no tempo de Augusto, e que guia o poeta através do Inferno e do Purgatório, simboliza a razão integrada com a sabedoria moral, e é também a voz da própria consciência de Dante. Beatriz, a mulher amada que o guia no Paraíso, é a sabedoria cristão iluminada pela graça, a suprema sabedoria dos santos, a única que pode levar a Deus.

Tudo no poema é perfeita construção alegórica, e nisto Dante limita-se a respeitar as regras do seu tempo: pois quantas não são de fato as obras medievais que referem as viagens ultraterrenas, devidamente arquitetadas para edificação do pecador? Só que, no poema dantesco, há um sutil artifício que permite ao poeta encerrar nos seus cantos também a história do seu tempo. Dante imagina fazer uma viagem em 1300 e portanto refere naturalmente tudo quanto aconteceu antes desta data; mas, reconhecendo aos mortos a capacidade de prever o futuro, põe-nos a profetizar os acontecimentos públicos e particulares que não deseja deixar em silêncio.

Fruto de uma imaginação poderosa e de uma capacidade narrativa aguçada, A Divina Comédia encontra nos símbolos um valioso instrumento de expressão. A riqueza de alegorias, porém, além de constituir o caráter lírico e a beleza poética do livro, acaba por permitir interpretações diversas sobre o significado do texto. Ao menos quatro delas são amplamente reconhecidas:

1. A literal, que considera apenas a aventura de Dante pelos três reinos do pós-vida.

2. A alegórica, que destaca o sentido de purificação progressiva do espírito, ao longo da jornada rumo a Deus.

3. A moral, focada na rigidez de costumes e na exaltação aos valores do Bem, da Verdade e da Justiça.

4. A anagógica, ou sobrenatural, constituída na passagem de toda a humanidade da escravidão do pecado à salvação, pela Redenção de Cristo.

Haveria, ainda, um aspecto mais polêmico, o político, que enxerga na mulher amada, Beatriz, uma analogia com uma Florença purificada dos seus pecados ou com uma Itália unificada.

Personagens

Para sua viagem, Dante convida três personagens de seu imaginário: o poeta Virgílio (Inferno e purgatório), Beatriz, seu grande amor platônico (Céu) e São Bernardo (Impirium-Deus).

Enredo

A viagem de Dante na Divina Comédia inicia-se na quinta-feira da semana santa de 1.300 d.C. Sua narrativa é curiosa, assustadora, e acima de tudo singular. Dante mistura-se a um complexo conjunto de sentimentos, impressões, crenças e conhecimento cultural para desenvolver seu edifício literário. O primeiro conceito nitidamente observável é a concepção geocêntrico-astronômico de Ptolomeo de Alexandria (Séc. II d.C.). As disposições Astronômicas são exatamente aquelas encontradas no Tetrabiblos e Almagesto do mesmo Cláudio Ptolomeo.

Outro aspecto fundamental em sua narrativa é a "Teoria da Imortalidade" de Platão, que supunha a viagem da alma humana após sua morte, aos céus específicos de cada planeta, de onde teriam vindo desde o princípio.

Encontraremos Dante narrando várias vezes de seu imaginário, ícones distorcidos pela percepção religiosa de seu tempo.

Quanto à Beatriz, sua musa inspiradora, não se sabe muito. Na realidade Dante a conhecera já desposada por outro homem e sua paixão platônica o perseguiu por toda vida. Muitas vezes grandes paixões são marcadas pela dor. Beatriz morrera em tenra idade, deixando o poeta profundamente deprimido. Dante chegou a casar-se, mas jamais escrevera sequer um verso para sua esposa, tornando-se conhecido como o maior adúltero literário da história da poesia.

Para se ter uma idéia dos sentimentos de Dante por Beatriz, ele a cita 64 vezes na Divina Comédia, sendo o Cristo citado apenas 40. Beatriz só perde para Deus, que muito freqüentemente era invocado quando em sua estadia no inferno.

Dante não esconde em seus versos sua opinião sobre as coisas. De posse das chaves do universo, brinca de Deus e coloca no inferno todos aqueles que odiara e que o perseguiram durante a vida. Lá estavam também todos os que eram convenientes ao pensar teológico. Desta maneira, o poeta se vinga de todos aqueles com os quais lutara em vida e glorifica todos os seus amigos e amores, os elevando às alturas celestiais.

Dante fez uma viagem ao mundo do além. Orientando pelo poeta Virgilio, conhece o inferno e o purgatório e depois, guiado por Beatriz, visita o Paraíso. Ao longo do percurso Dante encontra vários conhecidos seus e conversa com alguns deles. O inferno é um vale nas entranhas da terra formado por vários círculos que vão e afunilando: quando mais baixo estão, maiores os pecados daquelas almas que ali padecem grandes suplícios. Satanás, com quem se encontram, tem três faces, uma só cabeça e enormes asas de morcego. Saem do inferno e sobem a montanha do purgatório. Passam pelos sete círculos que representam os sete pecados capitais. Banhando-se em águas sagradas, na saída do purgatório, são absolvidos de toda a culpa. Dante entra no paraíso seguido por Beatriz, e aí encontra santos, sábios, teólogos, e outros espíritos. No último céu, encontra São Pedro e faz um exame de fé. Beatriz ocupa um lugar no terceiro ciclo dos eleitos. No final da jornada, Dante vislumbra Deus em toda a sua glória.

Arquitetura do mundo extraterreno

Sob a crosta terrestre abre-se, no hemisfério boreal, precisamente debaixo de Jerusalém, uma profunda depressão em forma de cone que chega até ao centro da Terra. Foi provocada pela queda de Lúcifer, o anjo rebelde, o qual, efetivamente, se acha cravado no fundo do abismo. As terras que saltaram durante a queda do anjo confluíram no hemisfério austral formando uma ilha constituída por uma montanha cônica no cimo da qual está colocado o Paraíso Terrestre, exatamente nos antípodas, portanto, de Jerusalém, e na fronteira extrema entre o mundo da matéria e o da imaterialidade.

Na depressão, que se abisma em nove círculos concêntricos, está situado o Inferno. Os condenados estão disseminados nestes círculos de harmonia com a gravidade dos pecados; e o pecado é tanto mais grave quanto mais violou o que o homem tem em si de divino.

Sobre a montanha cônica do hemisfério austral está situado, por seu lado, o Purgatório. As almas estão distribuídas sobre as ravinas que se escavam no flanco do monte. Sete sãos as faixas correspondentes aos sete pecados capitais; com o antipurgatório e o Paraíso Terrestre é atingido o fatídico número nove, que com o número três se encontra na base de toda a disposição da Divina Comédia. Os dois reinos estão ligados por um estreito subterrâneo que do fundo do abismo infernal leva à ilha do Purgatório, no hemisfério oposto.

O Paraíso encontra-se, naturalmente, no Céu: onde nove esferas circulam com órbitas sempre maiores e movimento sempre mais rápido, em volta da Terra imóvel, segundo o sistema ptolomaico. Acima delas, o fulgurante Empíreo, onde resplende Deus, circundado pelos bem-aventurados triunfantes.

O Inferno

No meio do caminho da sua vida, Dante, tendo-se perdido numa floresta obscura, tenta em vão subir a colina luminosa: três feras, que simbolizam as concupiscências humanas, impedem-lhe o passo. Virgílio aparece ao poeta e propõe-lhe um outro caminho para chegar à contemplação de Deus (o cume luminoso), um áspero e terrível caminho que atravessa os reinos de além-tumba. Dante fica hesitante e aterrador, e só quando Virgílio o informa de que tal privilégio lhe foi concedido pela oração de uma mulher bendita, Beatriz, que tanto deseja a sua salvação, ele se tranqüiliza e dirige-se para o limiar do além. Virgílio guiá-lo-á através do reino da beatitude.

Atravessado o fatídico limiar infernal, Dante encontra no vestíbulo os cobardes, os que viveram "sem infâmia e sem louvor", juntamente com os anjos que, quando da revolta de Lúcifer, não souberam de que lado se colocar. Estes, que quiseram impedir a batalha, estão agora condenados a correr sem descanso atrás de uma bandeira, pungido por vespas e zangãos. Primeiro exemplo, este, da lei do contrapasso segundo a qual em todo o Inferno as penas são infligidas em estreita relação - de analogia e de contraste - com os pecados cometidos. A mesma lei governa também o Purgatório.

Entre o vestíbulo e o primeiro círculo do Inferno corre o rio de Aqueronte. Aqui param os recém-chegados, esperando que Caronte, o demônio dos "olhos de brasa", os atravesse para a outra margem, onde serão julgados por Minos, monstruoso juiz que, enrolando a cauda, indica o círculo a que cada pecado está destinado. No primeiro círculo, para além do rio, há o Limbo, que recebe as almas das crianças mortas sem o batismo e as daqueles que honestamente viveram antes da vinda de Cristo à Terra.

Não há penas no Limbo, mas uma atmosfera de deprimente melancolia. Dante encontra aí os grandes da Antigüidade: Homero, Horácio, Ovídio, Lucano e tantos outros. O Inferno propriamente dito começa, portanto, apenas com o segundo círculo, onde os luxuriosos são arrebatados por uma tempestade de vento. Entre esses, Francesca de Rímini, ainda abraçada ao seu Paulo, narra ao poeta a sua trágica história.

No terceiro círculo os gulosos são flagelados por uma chuva putrefata e ferozmente vigiados por Cérbero, horrível cão com três cabeças. O florentino Ciacco fala a Dante das lutas entre as facções opostas da sua cidade. No círculo seguinte, desfilam os avarentos e os pródigos, que empurram pesos enormes, e depois os iracundos, os indolentes, os invejosos e os soberbos, todos imersos na lama ardente do pântano do Estige.

Para atravessarem o pântano, Dante e Virgílio aproveitam a barca do demônio Elegias, que os deixa à porta da cidade de Dite. Os seus muros de fogo encerram a parte mais baixa e mais terrível do Inferno, aquela onde mais graves são as culpas e mais terríveis as penas. As penas parecem freqüentemente sugeridas por ímpetos de desprezo; outras, por uma fantasia atroz.

Os diabos estão bem decididos a impedir a entrada na cidade de Dite àquele que "sem morte vai pelo reino da gente morta": trancam todas as portas, enquanto as três fúrias aparecem sobre as ruínas e, entre elas, Medusa procura magicamente petrificar Dante. Chega a tempo um enviado celeste que, com um toque de vara, abre as portas de Dite, repreendendo asperamente os diabos.

Recomeça a viagem, e Dante vê em sepulcros de fogo os heréticos, entre os quais Farinata; os violentos contra o próximo, num rio de sangue, alvejados e feridos pelas flechas dos centauros desde que ousem erguer apenas um pouco a cabeça; os violentos contra si mesmos, isto é, os suicidas como Píer delle Vigne, transformados em árvores nodosas; os esbanjadores perseguidos e devorados por cadelas ferozes.

Os violentos contra Deus e os violentos contra a natureza são submetidos a uma implacável chuva de fogo; contudo, enquanto os violentos contra a natureza (isto é, os sodomitas, como Brunetto Latini) caminham, aliviando assim o seu tormento, os violentos contra Deus devem permanecer deitados sob o flagelo da chuva ígnea. Também os usurários são submetidos a ela, mas sentados, e movendo sem descanso as mãos para se defenderem.

Os dois poetas chegam assim à extremidade do sétimo círculo, onde se abre um profundo e íngreme precipício. Para o superar, Dante deve subir com Virgílio para a garupa de Gerione, um monstro alado com a cauda afiada, o qual, com lentíssimo vôo, desce com os dois ao fundo do abismo. O oitavo círculo é dividido em dez fossos, ligados entre si por pontes. Num crescendo de horror, numa atmosfera cada vez mais alucinante, entra-se no lugar chamado "malebolge, Oodo de Pedra da cor do ferro". O longo desfile de pecadores continua. Na segunda parte do Inferno, o espetáculo torna-se ainda mais horroroso.

Eis os alcoviteiros flagelados por demônios cornudos; os aduladores imersos em estrume; os simoníacos espetados com a cabeça para baixo em pequenos buracos, com as plantas dos pés acesas; os adivinhos com as cabeças voltadas para trás. No quinto fosso os vendilhões debatem-se em pez fervente: multidões de diabos armados com arpões abrigam os desgraçados a permanecer inteiramente submersos. Os hipócritas, oprimidos por pesadíssimas capas de chumbo, arrastam-se no sexto fosso. E o sétimo é repleto de serpentes: serpentes de todas as medidas, cores, venenos, que se lançam sobre os ladrões; envolvem os seus membros enroscando-se neles, apertam-nos e mordem-nos. No momento de ser atingido, o infeliz incendeia-se e um momento depois fica completamente incinerado, para ressurgir depois das suas cinzas como a Fênix da fábula. Mais além, por seu lado, os condenados, uma vez feridos, transformam-se em serpentes, enquanto as gestas que os mordem se tornam homens. Todo o fosso fervilha de estranhos seres em metamorfoses, entre um abater de caudas que se tornam pernas, e de braços que se retiram no corpo e línguas que se bifurcam. Depois deste monstruoso espetáculo, eis o crepitar de chamas que encerram conselheiros fraudulentos, entre os quais Ulisses e Diomedes. Ulisses conta a sua extrema aventura no oceano sem fim. (Solene a proclamação do destino dos humanos: Não fostes feitos para viver como brutos, / Mas para seguir virtude e conhecimento).

Depois de haver falado com Ulisses e com Guido de Montefeltro, Dante e o mestre fiel retoma o caminho, e encontra os promotores de discórdias e os cismáticos, cortado em pedaços pelas espadas afiadíssimas dos demônios; entre chagas horrendas e restos de braços, aparece Bertrand de Born, trovador provençal que, tendo separado um pai do filho com maus conselhos, caminha segurando pelos cabelos a sua própria cabeça, separada do tronco.

No último fosso estão apinhados os falsários, oprimidos por terríveis doenças; os falsários de metais arranham-se furiosamente, os de moedas estão tumefactos pela hipocrisia, os mentirosos ardem de febre.

Saindo de Malebolge, o poeta julga ver uma vaga paisagem de torres, mas depois apercebe-se de que as torres são de fato três gigantes agrilhoados, que pouco a pouco emergem da Bruna caliginosa. Trata-se de Fialte, Anteu e Nembrote, o que ousou desafiar Deus com a sua torre de Babel e que agora balbucia palavras que não têm sentido algum. Cabe a Anteu o encargo de fazer descer Dante e Virgílio no derradeiro precipício: toma-os de fato, inclina-se e coloca-os no mais profundo círculo infernal.

Não há fogo, nem demônios, nem gritos de condenados: o fundo do Inferno é gélido, um imenso bloco de gelo. Prisioneiros aí, com a cabeça imersa da estrutura gelada, estão os traidores: as lágrimas no gelo significam as suas pálpebras. Naquela imobilidade alucinante, o conde Ugolino raivosamente rói o crânio do seu inimigo.

Com a visão de Lúcifer, o anjo rebelde, reduzido agora a monstro com três bocas, cada uma das quais mastiga um dos três maiores traidores (Judas, traidor de Cristo, e Brutus e Cassius, traidores de César e, portanto, do Império), cai o pano sobre a horrorosa tragédia da humanidade condenada. Agarrando-se aos pêlos das pernas de Lúcifer, Dante e Virgílio descem ainda; depois, num dado momento, voltam-se e começam a subir: chegaram ao centro da Terra, e um estreito subterrâneo levá-los-á a "rever as estrelas", da outra parte do mundo. A viagem através do Inferno durou três dias.

O purgatório

Um instintivo respirar de alívio no emergir da "aura morta" e no reencontrar, acima de si, o Céu, "doce cor de oriental safira". Graças a Deus, tudo é diverso no Purgatório: a paisagem, a atmosfera, a luz que chove do alto.

Desaparecidos o ódio, a rebelião, o crime. Enquanto as personagens infernais eram visceralmente ligadas à vida vivida na Terra, aos pecados que ainda reviviam e que reviveriam por toda a eternidade, os penitentes do Purgatório, afastados das vicissitudes terrenas, encontram-se ansiosamente tendidos para a sua futura união com Deus. As tragédias sofridas na Terra estão já muito afastadas, transfiguradas: já não fazem bater o coração.

As próprias penas a que os purgandos estão submetidos não têm o terrível relevo plástico do Inferno. O sofrimento físico quase desaparece perante a mais torturante dor espiritual, mitigada, porém, pela resignação e pela esperança. Mal chegado à praia da ilha, enquanto olha em volta de si e descobre as estrelas do hemisfério austral e o esplêndido Cruzeiro do Sul, Dante descobre, de súbito, que está perto de si um velho de venerada barba branca. É Catão, o estrênuo defensor da liberdade, aquele que em Útica se matou por não suportar que a Roma republicana sucumbisse.

Agora é o guarda do Purgatório: por isso a montanha da expiação é exatamente o reino da liberdade, liberdade em relação ao pecado, liberdade do arbítrio. Virgílio fala-lhe com suma reverência e obtém para si e para o seu discípulo a autorização de subir a montanha. Antes, porém, de começar a viagem, Virgílio recolhe o orvalho das ervas e com ele lava o rosto de Dante, para o libertar de toda a sujidade caliginosa do Inferno.

Entretanto aparece sobre o mar uma luz que velozmente se aproxima: trata-se de um anjo, rente à popa sobre um barco "estreitito e leve" que ele faz deslizar com o adejo das grandes asas. Sentam-se no barco mais de cem espíritos que estão a chegar ao reino da expiação. Entre eles encontram-se Casella, que já em vida havia musicado as canções de Dante e que agora, tendo desembarcado e reconhecido o amigo, não hesita entoar a famosa "Amor que na mente me discorre". As almas apinham-se em volta para ouvir o "doce canto", mas Catão repreende-as pela demora, e elas correm então para as encostas do monte. Também os dois poetas se dirigem apressadamente para a montanha e, enquanto Virgílio procura um carreiro que permita a Dante subir, um grupo de almas os alcança. Depois de ter sabido porque razão um vivo se encontra naquele lugar, uma delas se identifica: é Manfredi, que, embora excomungado, se salvou num extremo impulso de arrependimento.

A subida é rude, e Dante avança agarrando-se com as mãos o melhor que pode. Chega, porém, à primeira plataforma, que constitui uma espécie de vestíbulo onde os que tardam a arrepender-se esperam o momento de poder entrar no Purgatório. Dante encontra Belacqua, um famoso ocioso dos seus tempos; e Buonconte de Montefeltro, combatente em Campaldino; e, enfim, depois de muitos outros, a suavíssima e infeliz Pia de Tolomei.

Um encontro singular é o de Virgílio com Sordello, mantuano como ele: um abraço que traz aos lábios de Dante a célebre invectiva contra a escravidão da Itália. Tendo passado para o Vale dos Príncipes, onde se encontram reunidas as almas dos reis e senhores.

Dante adormece, para se encontrar na manhã seguinte, misteriosamente, em frente da verdadeira porta do Purgatório. Um anjo lhe traça na fronte "sete P", representando os sete pecados capitais. Serão apagados pouco a pouco por outros anjos, à medida que Dante passe de faixa em faixa, observando de perto aqueles que expiam exatamente os sete pecados capitais e meditando sobre vários exemplos de virtudes ou de vícios castigados.

A soberba expia-se na primeira plataforma e as almas caminham curvadas debaixo de pesos enormes e olham para esculturas que representam exemplos de humildade; a inveja, na segunda, e os invejosos são castigados com os cilícios, os alhos cosidos com fio de ferro, enquanto vozes ignotas gritam exemplos de inveja castigada; no terceiro círculo, onde as almas estão envolvidas em densa fumarada, é expiada a ira; na quarta correm os preguiçosos; na quinta jazem por terra, de bruços, os avarentos.

No quinto círculo, Dante e Virgílio encontram a alma do poeta latino Estácio, que, terminada a expiação, está a subir para o cume da montanha; acompanham-no, e os três juntamente passam para o sexto círculo, onde os gulosos, entre os quais Forense Donati, amigo de Dante, estão reduzidos a uma magreza esquelética. Durante a viagem, Estácio fala da sua conversão ao cristianismo e Virgílio, dos seus companheiros do Limbo. O discurso torna-se depois mais erudito, versando sobre a teoria da formação do corpo e da alma sensitiva, sobre a origem da alma racional e sobrevivência da alma ao corpo.

Assim, os três chegam ao sétimo círculo, onde os luxuriosos ardem no fogo. É preciso que também Dante passe pelas chamas para purificar-se, e o bom Virgílio deve recorrer à recordação de Beatriz para levar o relutante discípulo a entrar no fogo. Superada a prova, Dante cai num sono profundo e sonha com uma jovem e bela senhora que vai colhendo flores para se engrinaldar: é Lia, símbolo da vida ativa. Uma última subida e eis as maravilhas do Paraíso Terrestre. Chegou, entretanto, o momento da despedida de Virgílio: esperando a chegada de Beatriz, Dante já não precisa ser amparado pelo seu conselho. Na "divina floresta, espessa e viva", o poeta move sozinho os seus passos, continuando, porém, a voltar-se para o seu mestre, que o olha afetuosamente de longe. Chega junto de um límpido regato, além do qual vê uma senhora de celeste beleza, Matilde, que caminha "cantando e escolhendo flores no meio de flores". Matilde é talvez o símbolo da inocência primitiva.

Mas já se vê avançar uma mística procissão: sete candelabros ardentes, vinte e quatro mulheres cingidas com flor-de-lis, quatro animais estranhos e o carro alegórico da Igreja, que sofre uma série de espantosas transformações, em volta do qual dançam as três virtudes teologais e as quatro virtudes cardeais.

É enfim: Veste nívea, cingida de oliveira, / Apareceu-me a Dama em verde manto, / E vestida de cor da chama viva.

É Beatriz. A emoção do poeta atinge a sua acme. Sente nascer em si a antiga chama e volta-se para tornar Virgílio participante de um tão ardente acontecimento: mas o mestre já tinha desaparecido em silêncio.

Beatriz, que simboliza a luz de Deus enquanto verdade, dirige-se-lhe, severamente repreendendo Dante pelas suas culpas e convidando-o a confessá-las. A confissão purifica o poeta, que, depois de haver sido imerso por Matilde nos dois rios do Paraíso Terrestre, que fazem esquecer as culpas cometidas e despertam a memória das boas ações, está finalmente preparado para subir ao Paraíso.

O Paraíso

O Paraíso é o canto da beatitude, da consonância da vontade dos bem-aventurados com a de Deus. É também o canto das dissertações teológicas, das doutas explicações que Dante recebe da sua dama e de outros eleitos. Mas principalmente é o canto da luz, uma luz que resplende, que irradia, flameja, palpita onde quer que seja, sobre as figuras dos bem-aventurados, nos olhos de Beatriz, sobre as esferas que se movem nos céus, e que se torna tanto mais ofuscante quanto mais se sobe para a visão de Deus.

Do Paraíso Terrestre, Dante e Beatriz erguem-se com movimento rapidíssimo para a esfera do fogo e, ultrapassada, chegam ao primeiro céu, o da Lua, onde se encontram os espíritos daqueles que foram constrangidos pela violência dos outros a serem infiéis aos votos religiosos. Dante encontra aí Piccarda Donati. No Paraíso, os bem-aventurados residem todos no Empíreo em contemplação de Deus, mais perto ou mais longe d'Ele segundo seu mérito, mas todos felizes do seu estado. Só para fazer compreender a Dante a arquitetura celeste, e para lhe mostrar o seu diverso grau de felicidade, eles se agrupam nos sete céus planetários, cada um naquele cuja influência sofreu em vida, segundo as regras astrológicas medievais. Uma particular virtude moral preside a cada céu: a fortaleza no céu da Lua, a justiça em Mercúrio, a temperança em Vênus, a prudência no Sol; e no céu de Marte há a fé, no de Júpiter, a esperança, em Saturno, a caridade.

No céu de Mercúrio pairam os espíritos que usaram do seu talento para fazer o bem. E aqui se revela a Dante Justiniano, o qual celebra, a grandes linhas, a história do Império Romano, desde Enéias a Carlos Magno. Depois do encontro com o imperador, Beatriz tira algumas dúvidas de Dante falando-lhe da morte de Cristo, da redenção do homem do pecado original, da incorruptibilidade do que foi criado diretamente por Deus. E assim discutindo, chegam à esfera de Vênus, onde, entre os espíritos que fortemente amaram, encontram Carlos Martel, filho de Carlos II de Anjou. Passando por Florença em 1294, o jovem angevino conhecera Dante e dera-lhe prova de grande amizade, logo cortada pela sua morte prematura. Depois de Carlos, outros espíritos amantes se revelam ao poeta: Cunizza da Romano e Folco de Marselha, que censura a vergonhosa avareza dos eclesiásticos.

No quarto céu, o do Sol, brilham as almas sapientes e triunfam os teólogos. Dante encontra lá Tomás de Aquino e Boaventura de Bagnorea, que tecem o elogio dos dois grandes campeões da fé, S. Domingos e S. Francisco. O quinto é o céu de Marte, onde as almas dos que Morreram combatendo pela fé de Cristo estão dispostas em forma de cruz luminosa. Do baçodireito da cruz fulgurante revela-se ao poeta o seu trisavô, Cacciaguida, morto na segunda cruzada. Cacciaguida fala de Florença dos seus tempos antigos, quando a população, encerrada no primeiro círculo de muralhas, "estava em paz, sóbria e pudica", e prediz a Dante o exílio, exortando-o todavia a suportar as injustiças confiando em Deus: principalmente não tenha medo da verdade, mas grite-a no rosto de todos sem se preocupar com as conseqüências. Dante continua a subir com Beatriz: no sétimo céu, o de Saturno, os espíritos contemplativos estão ordenados segundo uma escala admirável que sobe até ao Empíreo. S. Pedro Damião fala do mistério da predestinação; S. Bento conta de si e da ordem e lamenta a sua decadência.

O oitavo é o céu das estrelas fixas: em forma de fúlgido sol, no meio das mil esplêndidas luzes dos bem-aventurados, Dante assiste ao triunfo de Cristo. Sobre Cristo ao empíreo e, num tripúdio de fulgor, os bem-aventurados celebram o triunfo de Maria. Antes da ascensão ao nono céu, S. Pedro, S. Tiago e S. João interrogam o poeta sobre a fé, a esperança e a caridade! Dante supera com êxito este exame acerca das virtudes teologais e depois ouve de Pedro a mais rude invectiva contra o papado e a sua corrupção. Aos três apóstolos junta-se depois Adão, que desvenda ao poeta a natureza do pecado original e lhe diz quantos nos passaram desde a criação do homem, quanto tempo ficou no Paraíso Terrestre e a língua que falou.

Depois de um hino de agradecimento a Deus, os bem-aventurados sobem para o Empíreo. Do nono céu, ou primeiro móvel, Dante contempla nove esplêndidos coros angélicos, cujas virtudes e função lhe são explicadas por Beatriz; ela fala-lhe depois da causa, do lugar e do tempo da criação dos anjos, nas suas ades, do seu número e das trágicas diferenças entre os anjos fiéis e os rebeldes.

Dispersos os anjos, comparece perante os olhos de Dante o fúlgido ofuscante espetáculo da Rosa celeste, formada pelos espíritos triunfantes e pelos anjos, em volta de Deus. É o Paraíso dos contemplantes. Beatriz deixa Dante e vai ocupar o seu lugar no terceiro círculo dos eleitos. Junto do poeta está agora S. Bernardo, o mais ardente dos místicos, que o guiará, pois que Dante, agora, não poderá seguir com a força da razão, mas apenas por arroubos estáticos.

Invocada por S. Bernardo com uma estupenda oração, a Virgem intercede junto de Deus e obtém para a graça sublime: o poeta tem a visão da Divindade.

É um átimo inefável, um entrever para além das capacidades humanas, um fulgor faiscante que a memória não pode fixar. E com a vista no inexprimível termina o poema.

Magorinai


O Necronomicon, Necromicon, ou Kitab-al-Azrif, seria um terrível grimório escrito pelo Árabe Louco Abdul al-Hazred. O livro, entre outras coisas, permitiria o contato com antigos seres extra-planares, ou alienígenas, que num passado distante teriam governado esse planeta e hoje aguardam as estrelas retornarem ao ponto ideal e assim despertar de um profundo sono, prontos a devorar a humanidade e reestabelecer seu reino.

Um tanto fantástico demais? Não seria para menos, pois o livro, um dos centros básicos da literatura de horror de Howard Phillip Lovecraft é uma invenção do próprio autor.

Abdul al-Hazred na verdade é o nome de um personagem imaginário que Lovecraft usava quando era criança. Na idade adulta achou que este seria um bom nome para o autor do livro maldito que criava para sua própria mitologia de horror. Mas uma coisa lhe escapou: Abdul Alhazred é um nome impossivel dentro da cultura árabe. A explicação é bem simples, o fato é que a palavra "ABDUL" é derivada de "ABD Al" que significa "servo de", dispensando o uso de uma preposição em sequência. Logo Abdul al-Hazred é uma construção gramaticalmente redundande em árabe pois significaria algo como "Servo de de Hazred" repetindo a preposição.

O correto seria simplesmente "Abdul Hazred", mas não é assim que o vemos registrado na maior parte das diversas referências ao livro ou mesmo nas suas auto-alegadas edições.

E não é só o Necronomicon que entra nessa dança de livros lendários, vários outros dos chamados "Mitos Cthulhianos" também são meras criações de autores amigos de Lovecraft. Livros como "Vermis Mysteriis", "Book of Eibon", "Unaussprechlichen Kulten". Segue um trecho da carta do próprio Lovrecraft para Willis Conover, em 28 Julho de 1936 falando sobre isso:

"For that it regards the 'frightful and forbidden books' that I cited sometimes in my stories, I am forced to admit that the greater part of them is purely invented. Did not ever exsist a Necronomicon by Abdul Alhazred, because I invented these names. Robert Bloch created the personage of Ludvig Prinn and his De Vermis Mysteriis, while The Book of Eibon is an invention of Clark Ashton Smith. At last, Robert E. Howard is the responsableof Friedrich von Juntz and his Unaussprechlichen Kulten..."

Outra coisa curiosa é o fato de que é dito nas biografias do Necronomicon que o livro foi incluído no Index Expurgatorius da Igreja Católica em 1232, no entanto a primeira edição do tal índice de livros proibidos pela Igreja só existu em 1559, com edições atualizadas de 50 em 50 anos até 1952. Logo, mais uma prova da total ficção de Lovecraft.

O fato é que suas histórias acabaram tomando forma própria, e uma série de fãs ao redor do mundo começou a dar base para que o livro "realmente" existisse. Foi incluído em listas de lojas de antiguidades, catálogos de bibliotecas, entre outros. Com o tempo foram feitas edições do mal-afamado livro, que variavam do pífio livrete de jornal a imponentes edições em capa dura, com conteúdo variando muitas vezes de uma versão para outra.


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O Index Librorum Prohibitorum ou Index Expurgatorius é uma lista das paublicações que a igreja católica condena, geralmente por serem de conteúdos contraditórios a história e aos dogmas da igreja. O propósito dessa lista é evitar a leitura de seus fieis e a corrupção dos mesmos.

Criado em 1559 pela Sagrada Congregação da Inquisição da Igreja Católica Romana (posteriormente conhecida como a Congregação para a Doutrina da Fé), o “Index” continha nomes de autores cujas obras estavam proibidas em sua totalidade.

A lista incluiu autores literários como Rabelais (obra completa) ou La Fontaine (contes et nouvelles), pensadores como Descartes e Montesquieu e científicos como Conrad Gessner e Copérnico. Este ultimo entrou na lista como consequência do processo de Inquisição contra Galileu, por um decreto da Congregação Geral, que obrigava expurgar certas passagens imcompatíveis com a fé, que confirmavam que a terra não era o centro do sistema solar e sim o sol (teoria heliocêntrica). Johannes Kleper também foi incluído na lista por defender o heliocentrismo.

A 32° edição do Index publicada em 1948, continha aproximadamente 4.000 títulos censurados por diversas razões; heresia, deficiência moral, sexo explícito, entre outras. Incluia também, junto a uma parte da lista hitórica, boa parte dos novelistas do século XIX, como Zola, Balzac e Victor Hugo. Entre os pensadores se encontram Michel de Montaigne, Descartes, Pascal, Montesquieu, Spinoza, David Hume, Kant, Beccaria, Berkeley, Condorcet e Bentham.

Autores notáveis como Schopenhauer, Marx e Nietzsche, devido as seus ateísmos e hotilidades a igreja católica eram nomes certos a cada edição da lista.

Como lista oficial e a excomunhão que implicava sua leitura, foi abandonada em 1966 com o fim do Segundo Concílio do Vaticano sob o papado de Paulo VI. Porém muitos líderes católicos ainda condenam a leitura desses livros como pecados gravíssimos.

Em 2003 o assunto vem a tona novamente com a publicação do livro O Código Da Vinci, do escritor americano Dan Brown. O livro causou polêmica ao colocar em dúvida a divindade de Jesus Cristo, O livro tem recebido críticas de religiosos, argumentando que Brown distorceu os fatos históricos.

O modo como a trama de Dan Brown trata a Igreja Católica, tem eliciado muitas críticas. O livro tem tido muitas vezes uma resposta negativa entre grupos cristãos.

E em 2005 o Vaticano incluiu o Código Da Vinci na lista dos livros proibidos pela igreja, mesmo esta não sendo mais oficialmente publicada. E apesar de todo o esforço e oposição da Igreja, a obra de Dan Brown tornou-se um best-seller com mais de 70 milhões de cópias vendidas em todo o mundo.

Alguns autores que tiveram suas obras inclusas no Index:

* Friedrich Nietzsche
* Joseph Addison
* Francis Bacon
* Simone de Beauvoir
* Cesare Beccaria
* Jeremy Bentham
* Henri Bergson
* George Berkeley
* Thomas Browne
* Giordano Bruno
* John Calvin
* Auguste Comte
* Nicolaus Copernicus
* Jean le Rond d’Alembert
* Erasmus Darwin
* Daniel Defoe
* Alexandre Dumas
* Alexandre Dumas filho
* Desiderius Erasmus
* Johannes Scotus Eriugena
* Frederick II of Prussia
* Galileo Galilei
* Edward Gibbon
* Vincenzo Gioberti
* Graham Greene
* Heinrich Heine
* Thomas Hobbes
* David Hume
* Cornelius Jansen
* Adam F. Kollár
* Nikos Kazantzakis
* Johannes Kepler
* Hughes Felicité Robert de Lamennais
* John Locke
* Martin Luther
* Niccolò Machiavelli
* Maimonides
* Nicolas Malebranche
* Jules Michelet
* John Stuart Mill
* John Milton
* Ernest Renan
* George Sand
* Jonathan Swift
* Miguel de Unamuno
* Maria Valtorta
* Theodoor Hendrik van de Velde
* Gerard Walschap
* Huldrych Zwingli

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